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Coluna do Heródoto

A guerra do remédio

By 14 de abril de 2020 No Comments

O governo de São Paulo sai na frente. Divulga amplamente que todos devem ficar em casa. Não fazer visitas. Evitar aglomerações especialmente à noite. As autoridades médicas ensinam que em períodos de pandemias os cuidados com a higiene devem ser mais rigorosos. Especialmente com a garganta e o nariz que, segundo os médicos, são ao locais mais sensíveis e portanto fáceis do vírus mortal se alojar. É necessário evitar fadiga excessiva por que debilita o sistema imunológico o que põe às pessoas nos grupos de risco da doença. Os que sentirem os primeiros sintomas devem ficar em casa para não contaminar parentes e vizinhos, de preferência em seus quartos e não receber nenhum tipo de visita. Com a difusão da pandemia as ruas centrais da capital ficam vazias, bem como teatros, cinemas e os badalados bares e cafés na região central. O governo nem precisa decretar a proibição do tráfego nas ruas. O medo de contágio e da morte mantém a população em casa. As atividades econômicas despencam e ninguém sabe o que se sucederá com a economia.

Os médicos recomendam que as pessoas tomem o remédio que tem apresentado bons resultados no combate à malária. Ele tem se mostrado eficiente em alguns caso e por isso deve ser usado mesmo pelas pessoas que ainda não sentiram os sintomas da pandemia. As doses devem ser diárias, geralmente no momento das refeições, uma vez que ele provoca efeitos colaterais já diagnosticados. O fato é que tal droga não tem nenhum estudo científico que comprove a sua eficácia no combate ao tratamento do vírus que faz tantas vítimas no mundo. Especialmente na Europa no meio dos franceses, ingleses, alemães, italianos e principalmente espanhóis. Os debates na mídia sobre o que pode curar a doença toma uma coloração política e há, inclusive, autores de teorias da conspiração que afirmam que o vírus é uma arma de guerra para destruir o inimigo custe o que custar e dominar o mundo, ou o que sobrar dele depois que a pandemia se for. Não faltam defensores de um lado ou outro uma vez que medicamento virou tema de guerra. Ainda sobram espaços para os remédios caseiros como chás de folha de goiabeira e outros vegetais.

A questão que se coloca é que ninguém sabe quando essa pandemia vai passar e qual o número real de mortos que provoca no mundo. As conexões internacionais são responsáveis pela difusão da doença e não se pode acusar este ou aquele pais de ser o responsável pelo vírus. O fato e que os governos, especialmente o federal, demoraram para tomar providências, não só equipando hospitais e treinando médicos e enfermeiras, mas também em impedir que passageiros doentes desembarcassem e distribuíssem o vírus à torto e à direita. O povo chama a doença de gripe espanhola. Ela é democrata e atinge a burguesia industrial, os operários das grandes cidades, os prestadores de serviço de toda natureza. Os ônibus e bondes apinhados são os locais ideais para ser contaminados. Nem o presidente da república eleito escapa. Rodrigues Alves morre vítima da pandemia. Com isso mais e mais as pessoas buscam nas farmácias e hospitais o quinino, o remédio eficaz contra a malária e a única esperança contra a gripe espanhola. Esse quinino, no futuro, vai ser substituído pela cloroquina, que é sintética.